AÇÕES SINDICAIS

UNI Américas propõe aliança entre centrais sindicais para defender pauta comum em evento internacional no SIEMACO-SP

04/03/2020



O auditório do SIEMACO-São Paulo foi palco na manhã e início da tarde desta quarta-feira (4) da reunião intersetorial da UNI Américas, que congregou lideranças sindicais de diversos sindicatos latino-americanos. O presidente do SIEMACO-SP e membro titular no Comitê Mundial do Setor de Serviços da UNIGlobal Union, Moacyr Pereira, deu boas vindas a todos, enfatizando a solidariedade que deve haver entre os sindicatos na defesa dos direitos dos trabalhadores, que infelizmente estão cada vez mais precarizados por governos e empresas.  

"Conhecer o que acontece em outros locais, trazendo para nossa diretoria uma visão mais ampla de países diferentes. Esse sempre foi o nosso intuito. Tanto é que em 2015, antes da reforma sindical, já fizemos uma restruturação, pois sabíamos o que estava por vir. Quando vieram as mudanças, nós sofremos, mas os danos foram bem menores. E não é novidade para UNI esse tipo de estratégia das empresas, os EUA passaram por isso há 40 anos. Lá, cerca de 90% dos trabalhadores estão fora do sindicato e fora da proteção social. Isso num país de primeiro mundo, com uma economia forte. Fico imaginando isso no Brasil, numa categoria como a nossa, que é composta pela base da pirâmide social", disse Moacyr Pereira.

Já Márcio Monzane, secretário Regional da UNI Américas, abriu os trabalhos falando do apoio ao movimento sindical em diversos países na América Latina, principalmente o Brasil, que após a Reforma Trabalhista, teve um verdadeiro ataque aos direitos trabalhistas e à organização dos trabalhadores em sindicatos, criando um conjunto de barreiras pensado para dificultar a articulação, organização e atuação dos trabalhadores.

"Está havendo na região Latino Americana uma quebra no processo democrático. Precisamos entender que a democracia não se constrói e nem existe somente nas eleições. Ela se dá na representatividade da população em conselhos, ministérios e órgãos de representatividade. O que não ocorre no atual governo brasileiro e que também vem ocorrido em outros países latinos. Um reflexo dessa onda liberal e sem representatividade da população passa pela tentativa de extinguir sindicatos. Hoje, no Brasil, dos 95 milhões de trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada, somente um terço está protegido por convenções e acordos coletivos. Isso é muito grave, pois significa uma relação totalmente dependente daquilo que o setor empresarial estabelece", disse Monzane.

A pobreza extrema, a falta de emprego, a 4ª revolução industrial (tecnológica), novos modelos de comunicação, ampliando o diálogo entre os sindicatos e os trabalhadores, além do tripé: organização de base, contraparte para negociar e fazer enfrentamento, e a defesa de conquistas e direitos para os trabalhadores, também foram abordados. Esses temas foram propostos para serem levados ao Fórum “Defendamos nossos direitos, construindo nosso futuro”, que ocorrerá em Fortaleza, no Nordeste Brasileiro, com data ainda a confirmar.

Ressaltando a proximidade com o Dia Internacional da Mulher, o presidente da UGT, Ricardo Patah, falou sobre a importância da representatividade para coibir algumas práticas abusivas de empresas. "O assédio sexual e o assédio moral contra as trabalhadoras persiste e é uma das principais reclamações entre todas as categorias. É inaceitável que isso continue ocorrendo e o sindicalismo se movimenta para tentar reduzir esses índices. Essa tarefa que é conjunta, com uma rede de solidariedade do sindicalismo global para resistir a tudo que está posto, a retirada de direitos e de acabar com a representatividade da classe trabalhadora".

Juvandia Moreira, presidente da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), também esteve no evento, representando a CUT. Além da importância da luta pela equidade de gêneros, ela ressaltou a Medida Provisória 905, que trata da Carteira Verde Amarela, que gera menos tributos e retira direitos, com a expectativa de gerar mais empregos para jovens. "Existe uma contratação grande de jovens. Eles são mais baratos e, por isso, estão na mira das empresas. O que a MP 905 vai fazer é colocar esses mesmo jovens no mercado, só que com menos direitos e mais expostos. Tem até pesquisa do DIEESE mostrando que o Contrato Verde e Amarelo deverá impor ao país uma renúncia fiscal de cerca de R$ 10,6 bilhões ao longo de cinco anos. Ou seja, o trabalhador e a trabalhadora perdem, o governo perde e somente as empresas ganham", disse Juvandia.