AÇÕES SINDICAIS

Índice histórico de desemprego é o maior desafio no Dia Internacional da Juventude

12/08/2021

O Dia Internacional da Juventude, celebrado neste 12 de agosto, foi instituído por resolução da Assembleia Geral da ONU, em 1999, confirmando uma proposta da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, realizada na cidade de Lisboa, entre 8 e 12 de agosto de 1998. Desde então, a luta por direitos e voz ativa da juventude tem sido tema de debate nas esferas políticas e sociais.

Porém, neste cenário de pandemia e recessão econômica, vivenciados pela maioria da população e especialmente pelos jovens, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no fim de maio deste ano, apontam que a taxa de desemprego entre os jovens de 14 a 17 anos chegou a 46,3%, o maior percentual da série histórica no trimestre encerrado em março de 2021. Ou seja, de cada 10 jovens nessa faixa etária 4 estão desempregados.

Entre as pessoas de 18 a 24 anos, 31% amargam as dificuldades oriundas do desemprego. Os percentuais ficam acima da média geral, que registrou taxa de desemprego de 14,7% no período.

Há um dado ainda mais aterrorizante: o desemprego é maior para mulheres, chegando a 17,9% no 1º trimestre de 2021, o maior da história, sendo 5,7 pontos percentuais a mais do que o índice dos homens.

 

SIEMACO-SP alinhado com a Juventude

Para Daniela de Sousa, diretora social do SIEMACO-SP, neste dia internacional da Juventude, além de homenagear, é importante destacar o papel importante que os jovens têm na sociedade, ressaltando ainda que eles estão na linha de frente da luta pela construção de um futuro melhor para todas e todos, mesmo diante de um cenário tão desafiador.

“Hoje a juventude sofre com más condições de vida, educação e saúde de baixa qualidade, desrespeito aos direitos, dificuldade em entrar no mercado de trabalho, dentre tantos outros. E tende a ficar ainda pior com o desgoverno que estamos vivenciando, inclusive a MP 1045, que, se for aprovada, a juventude sofrerá ainda mais com trabalhos precarizados, praticamente sem nenhuma proteção trabalhista e salários de fome, sem direitos mínimos. A juventude já está cansada de falsas promessas, estamos com energia e vontade de construir uma sociedade que nos dê a possibilidade escolher um projeto de vida atrelado ao que almejamos, com realização profissional, pois não queremos trabalhar apenas para sobreviver”, disse.

 

Preocupações da ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reafirma essas estatísticas e destaca que além do desemprego os jovens não estão recebendo educação ou treinamento adequado, sendo as mulheres a maioria.

Guterres lembra que a pandemia “agravou ainda mais a situação”, citando as dificuldades de implementação do ensino à distância, principalmente à juventude marginalizada, de baixa renda. A desigualdade de oportunidades, acesso à internet e a tecnologia é gigantesca entre ricos e pobres.   

Para o chefe da ONU, a recuperação passa por resolver “essas desigualdades” enfrentadas pelos jovens. Guterres sugere mais iniciativas de treinamento e educação, com foco na igualdade de gênero, no desenvolvimento sustentável e na inclusão. Além disso, é preciso investir mais em treinamento digital.

Ele avalia que os jovens buscam soluções e precisam “ter um lugar à mesa” na hora de se criar políticas em todos os níveis. O secretário-geral da ONU lembra que a estratégia Juventude 2030 das Nações Unidas traça um plano de trabalho em prol dos jovens no mundo todo.

“Não é de hoje que o Brasil enfrenta o desafio de incluir a juventude no mercado de trabalho. Os dados de jovens que estão sem acesso a trabalho e estudo são alvo de notícias há ao menos uma década e o que vemos é uma sequência de números alarmantes”, disse.

Segundo a ONU, os jovens entre 15 e 24 anos foram os mais afetados pelos impactos da pandemia.

Porém, tenhamos esperança, pois os jovens estão na linha de frente dessa luta (desigual) pela construção de um futuro melhor para todos.

 

Fotos: Unicef/Divulgação e ONU/Mark Garten