SIEMACO São Paulo mais de 50 anos prestando serviços aos trabalhadores

 

Discurso do presidente José Moacyr Pereira em Sessão Solene da Câmara Municipal de São Paulo em homenagem aos 50 anos da entidade 31 de março de 2009.

Ao comemorar os 50 anos do Siemaco lembramos e homenageamos todas as lideranças e trabalhadores que foram determinantes, em cada uma das lutas que nos ajudaram a acreditar e a vencer a favor da categoria.

Buscar vitórias (por menores que fossem) sempre foi a nossa razão de existir, desde a criação em  22 de janeiro de 1958 da Associação Profissional dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de São Paulo, que foi presidida por Irineu Antonio Minguanti. Uma grande conquista que foi confirmada no dia 31 de março do ano seguinte, com a fundação do Siemaco, Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo, que completa meio século.

Surgimos em plena era de grandes avanços no Brasil, com a industrialização acelerada, com a consolidação da indústria automobilística e com a construção de Brasília.

No entanto, quando começávamos a amadurecer, sofremos o Golpe Militar de 1964 que quase jogou por terra as conquistas democráticas que começavam a fazer parte do nosso dia-a-dia.

Os tenebrosos anos que se iniciaram com o golpe testaram nossa resistência e determinação de buscar alternativas de organização da categoria. Se não podíamos fazer manifestações públicas, nos uníamos em torno de eventos esportivos e sociais. Nestes eventos, trocávamos idéias, mantínhamos nossa unidade e organizávamos, dentro das possibilidades, nossa categoria.

Essa união permanente nos ajudou a atravessar os tempos mais agudos da repressão política e nos permitiu emergir como uma das principais categorias, que a partir de 1979, começou a reforçar os movimentos populares contra a carestia, a favor da Anistia e da redemocratização do País.

Aprendemos, enquanto entidade sindical de uma categoria sofrida, base da pirâmide social, a alavancar e multiplicar cada negociação a favor de cada um de nós.

Daí a importância de registrar a contribuição decisiva dos presidentes que passaram pelo SIEMACO e que ajudaram a avançar em cada uma das nossas conquistas democráticas e salariais.

Por isso, registramos aqui nosso agradecimento, aos senhores José Coutinho Ramos, Américo Gomes da Silva e Luiz Carlos Gomes, responsáveis pela travessia dos anos de chumbo e que passaram o bastão para Roberto Santiago, em 1983.

Roberto Santiago soube aproveitar o alicerce organizativo e ajudar a categoria a participar das vitórias sociais contra a ditadura militar, a favor da democratização do Brasil e ajudar o Siemaco-SP a ganhar estatura social e avançar para o cenário político nacional e internacional, a ponto dele ter sido o primeiro brasileiro a discursar no Senado norte-americano, representando a CGT brasileira, da qual éramos filiados na época.

Participamos ativamente do movimento Diretas Já e após a redemocratização em 1985, percebemos que ainda faltava muito a ser feito pelo Brasil e pelos trabalhadores.

Para tanto, além dos eventos de solidariedade, passamos a nos preparar para negociações abertas, registradas em contratos coletivos de trabalho.

Passamos a nos organizar a partir dos locais de trabalho, buscando por direitos trabalhistas básicos como uniformes (que eram cobrados dos trabalhadores), pagamento de horas extras,  assinatura de carteira de trabalho, dentre outros. Aprendemos, também, que tínhamos que avançar, estrategicamente, muito além dos interesses imediatos das nossas bases. Nos tempos de redemocratização e de vivência democrática, consolidamos uma diretoria, com Roberto Santiago, eu Moacyr Pereira, Agostinho Morello, Omar Fracari, André dos Santos, Gilmar Argenta e vários outros companheiros que pensavam e pensam no segmento econômico em que estamos inseridos. Sem nos esquecermos, é claro, do papel importante que cada funcionário representa para a nossa entidade.

Ao longo do tempo, as mobilizações e greves fizeram amadurecer as lideranças patronais, que, hoje formam uma parceria importante em defesa da nossa atividade, quer seja laboral ou patronal.  As negociações que hoje se realizam com o SELUR e com o SEAC representam este avanço.

Além das conquistas específicas da categoria que passaram pelo fornecimento de tíquete refeição e cesta básica, ajudamos a classe trabalhadora brasileira a conquistar o FGTS, o décimo-terceiro salário, a licença maternidade e mais recentemente a recuperação do salário mínimo. Cada etapa, cada vitória foram arrancadas com muita luta e em cada uma destas verdadeiras batalhas, muitos companheiros perderam o emprego e os mais ativos, que participaram diretamente do enfrentamento da ditadura perderam a liberdade e a vida, mas a categoria e o Siemaco acumularam dignidade.

Aprendemos, principalmente, a gostar da boa luta a favor do Brasil. Nosso sindicato preferiu se manter independente dos partidos políticos e alinhado com a democracia brasileira, sempre apoiando, negociando e incentivando a atuação de lideranças políticas que estavam dispostas a reforçar nossas lutas no cenário municipal, estadual e federal.

Tivemos participação decisiva na Constituinte de 88 e nos orgulha muito termos garantido com nossa mobilização a manutenção dos direitos trabalhistas, ameaçados pela mobilização dos setores que ainda eram saudosos da ditadura militar.

Criamos, como marca social própria, o Sindicato Cidadão. Que em poucos anos gerou frutos com a eleição de nosso ex-presidente, Roberto Santiago, para a Câmara dos Deputados; de Manassés de Oliveira, para a Câmara Municipal de Curitiba (PR) e de Fabiane Santiago prefeita de Piracaia.

Hoje o setor de asseio e conservação conta no Brasil todo com várias lideranças políticas influentes em suas cidades, sempre prontas a participar de nossas mobilizações estaduais, que organizamos através da Femaco (Federação dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental, Urbana e Áreas Verdes no Estado de São Paulo), da FENASCON - Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental, Urbana e Areas Verdes Públicas e da nossa central sindical, a União Geral dos Trabalhadores, onde o Siemaco ocupa, através de Roberto Santiago, a vice-presidência e, através de mim Moacyr Pereira, a Secretaria Nacional de Finanças. A UGT é hoje a terceira central sindical brasileira em número de trabalhadores representados.

Quando comemoramos os 50 anos do Siemaco e conseguimos avaliar nossas conquistas neste meio século, nos sentimos à vontade para profetizar a nova fase de um futuro de plenitude democrática, com a geração de mais oportunidades e, principalmente, com níveis de distribuição de renda que consolidem o discurso de igualdade que ansiamos, nestes anos todos, em nossa luta permanente a favor da democracia. 

Nossa categoria avançou muito em relação ao que tínhamos em 1959, quando transformamos nossa Associação em Sindicato. Mas temos consciência plena de que falta muito a ser conquistado. Estamos preparados, agora, para avançar muito além dos salários e do respeito aos nossos direitos trabalhistas.

Defendemos e continuaremos a defender a Terceirização legal, pois ela é um instrumento de gestão capaz de gerar empregos dignos e alavancar a economia brasileira, ajudando o Brasil a combater a atual crise e se desenvolver buscando justiça social e melhor distribuição de renda.

Queremos muito mais para o Brasil. E nos colocamos, enquanto base da pirâmide social, como a referência de conquistas sociais, traduzidas em mais Saúde, Educação e  Segurança.

Saúde para nós são mais hospitais, mais médicos, mais acesso a uma medicina preventiva.

Educação, significa acesso a escolas de boa qualidade com professores motivados.

Segurança para o Siemaco vai muito além de polícia nas ruas. Queremos e estamos trabalhando para conquistar uma sensação de segurança com o pleno emprego, a presença do Estado e a vivência cidadã na classe social menos favorecida.

E finalizando...

Festejamos os 50 anos porque sabemos avaliar o esforço de cada vitória conquistada a favor da nossa categoria e do Brasil. Com salários e moradias decentes. Com respeito aos nossos direitos trabalhistas, com inclusão social e cultural neste nosso imenso e querido Brasil.

Estamos passando por novos desafios. Uma crise econômica mundial assombra os lares de milhões de trabalhadores em todo o mundo. Mesmo assim não conseguimos ainda vislumbrar o que há por vir desta turbulência.

Mas estamos atentos e convictos que serão mais 50, 100, 150 e tantos anos outros anos de lutas.

 

Muito obrigado

José Moacyr Pereira

presidente