Tecnologia e acessibilidade rompem mitos do capacitismo no mercado de trabalho
O combate aos estigmas que limitam a inserção de profissionais com deficiência no setor de tecnologia e a urgência de plataformas digitais verdadeiramente acessíveis pautaram o 7º Encontro do Programa de Inclusão, realizado no último dia 3 de junho, no Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. O INSEP (Instituto Equidade Plural), organização fundada e gerida por pessoas com deficiência, conduziu as apresentações. A presença do SIEMASCO-SP consolida cada vez mais a participação do sindicato nas ações contínuas de monitoramento e engajamento neste setor.
A atividade integra o cronograma de visitas técnicas do sindicato voltadas à autonomia profissional, dando sequência ao mapeamento iniciado em maio, quando a entidade visitou o Centro de Referência em Inclusão no Senai de Itu. O foco, desta vez, concentrou-se nas soluções práticas voltadas à empregabilidade na área de tecnologia da informação e no desenvolvimento humano, marcas do trabalho do INSEP, que capacitou 500 pessoas entre os anos de 2020 e 2026.
Romper barreiras
Para Silvana Souza, diretora do Siemaco-SP que acompanhou as atividades do encontro, a experiência desmistifica preconceitos consolidados nos ambientes corporativos. “O INSEP nos mostra de forma muito clara os mitos do capacitismo no ambiente de trabalho a partir de casos reais de sucesso na inserção de pessoas com deficiência no setor de tecnologia”, avalia a dirigente.
A diretora enfatizou que os resultados obtidos pelo instituto evidenciam que as limitações estruturais e culturais das empresas pesam mais do que a capacidade técnica dos trabalhadores.
“O encontro mostrou, na prática, que a inclusão é possível quando promovemos equidade e eliminamos barreiras atitudinais, permitindo que cada pessoa desenvolva seu potencial com autonomia e protagonismo”, declarou Silvana.
Desenho universal na web
Um dos eixos centrais do encontro foi a discussão sobre a arquitetura de sites e sistemas corporativos sob a ótica do desenho universal. O debate apontou que a acessibilidade digital não deve ser vista como um recurso direcionado exclusivamente a um grupo específico, como pessoas com deficiência visual, mas sim como um padrão de desenvolvimento que beneficia toda a sociedade.
De acordo com os palestrantes e técnicos presentes, páginas da web precisam ser projetadas para acolher demandas diversas, o que inclui desde o suporte para a população idosa — que enfrenta dificuldades de navegação e legibilidade — até adaptações cromáticas para pessoas daltônicas e recursos de usabilidade para indivíduos com restrições motoras ou cognitivas.
Dinâmica e prática
A condução técnica do evento ficou a cargo do instrutor de TI Flavio Correia, profissional com deficiência visual, que realizou a apresentação institucional do projeto TechSampa Inclusiva (disponível em insep.org.br/TechSampaInclusiva/corporativo.html). Correia liderou as dinâmicas de sensibilização e os testes práticos de ferramentas tecnológicas, demonstrando como os leitores de tela e os softwares de assistência operam no cotidiano corporativo.
A apresentação foi dividida com Andressa Lucena, gerente de projeto do instituto, que possui deficiência visual e auditiva. Juntos, os profissionais demonstraram a viabilidade de gestão de fluxos de trabalho complexos e o desenvolvimento de soluções tecnológicas por equipes diversas, reforçando o conceito de protagonismo defendido pelo programa.
O encontro contou ainda com a participação institucional da advogada Vera Lúcia Leite de Oliveira, representante da Comissão de Acessibilidade da subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Osasco, que acompanhou as discussões sobre o cumprimento de cotas e a expansão de direitos trabalhistas atrelados à acessibilidade digital.
Por Alexandre de Paulo (MTb 53.112/SP); Fotos: Arquivo Pessoal/Divulgação










