SIEMACO-SP reforça Janeiro Branco, discutindo o fim da escala 6×1 em defesa da saúde mental dos trabalhadores
Em alusão ao Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, o SIEMACO São Paulo destaca a importância de promover um ambiente de trabalho que respeite o equilíbrio entre vida pessoal, descanso e bem-estar emocional. O sindicato apoia o debate em torno do fim da escala 6×1, modelo que ainda é adotado por grande parte dos trabalhadores brasileiros e que pode trazer efeitos negativos à saúde.
Para o presidente do SIEMACO-SP, André Santos Filho, defender jornadas equilibradas é defender a vida do trabalhador fora do trabalho. “O trabalhador não pode viver apenas para trabalhar. Qualidade de vida, tempo com a família, descanso e cuidado com a saúde mental são essenciais. Por isso, apoiamos o debate sobre o fim da escala 6×1, que hoje não atende às necessidades de descanso e recuperação dos profissionais”, afirma.
O tema tem ganhado espaço no Congresso Nacional. A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) é autora de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe limitar a jornada de trabalho de forma a garantir mais descanso semanal e maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com repercussão direta sobre a prática da escala 6×1. A proposta tem avançado nas comissões da Câmara e segue sendo debatida no âmbito legislativo.

Em debate realizado recentemente na Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reconheceu que a discussão sobre modalidades de jornada de trabalho, incluindo o modelo 6×1, pode e deve ser aprofundada, especialmente em ano de eleição. “Sociedade e trabalhadores têm o direito de questionar formatos que impactam diretamente a saúde física e mental da população trabalhadora”, defende.
Especialistas em saúde mental têm chamado a atenção para os riscos associados a jornadas exaustivas. A médica psiquiatra Ana Beatriz Oliveira, autora de diversos estudos na área, observa que o trabalho com pouco lazer adoece o trabalhador. “A escala 6×1 pode trazer sérios impactos para a saúde mental e física dos trabalhadores, contribuindo para o aumento do estresse, da ansiedade, da depressão e até de condições como o burnout”, alerta.

Categorias representadas pelo SIEMACO-SP entre as mais impactadas pela escala 6×1
Os trabalhadores representados pelo SIEMACO-SP, especialmente da área de Asseio e Conservação, estão entre os mais submetidos ao regime 6×1 no país. Apenas na cidade de São Paulo, estima-se que mais de 100 mil profissionais do setor atuem em jornadas com seis dias de trabalho e apenas um de descanso.
Além da jornada em si, há o fator deslocamento, que em muitos casos pode somar 2 a 4 horas por dia, o que reduz ainda mais o tempo de descanso, convívio familiar e recuperação física. Para esses trabalhadores, o fim da escala 6×1 teria impacto direto na qualidade de vida, saúde mental e segurança laboral.


Presidente André Santos Filho discursa em defesa da saúde dos trabalhadores e conversa sobre o fim da escala 6×1 com o ministro Luiz Marinho.
(fotos: Alexandre de Paulo)
Em diferentes países que discutiram a redução de jornadas, estudos mostraram que reduções no tempo de trabalho não geraram prejuízo às empresas e, em alguns casos, produziram ganhos. Um levantamento conduzido na Reino Unido com 61 empresas que testaram a semana reduzida apontou aumento de produtividade em 71% delas e redução de afastamentos médicos e burnout entre os empregados¹. No Japão, programas pilotos conduzidos por grandes empresas registraram queda no estresse e aumento de engajamento interno².
Em diferentes países que discutiram a redução de jornadas, estudos mostraram que reduções no tempo de trabalho não geraram prejuízo às empresas e, em alguns casos, produziram ganhos. Um levantamento conduzido na Reino Unido com 61 empresas que testaram a semana reduzida apontou aumento de produtividade em 71% delas e redução de afastamentos médicos e burnout entre os empregados¹. No Japão, programas pilotos conduzidos por grandes empresas registraram queda no estresse e aumento de engajamento interno².
Para o presidente do SIEMACO São Paulo, mudanças como o fim da escala 6×1 beneficiariam trabalhadores sem prejudicar as empresas. “Quando o trabalhador descansa, ele produz melhor, adoece menos e vive mais. Essa é uma pauta moderna, baseada em evidências, que não prejudica o setor produtivo. Ao contrário, melhora o ambiente de trabalho, reduz afastamentos e fortalece o trabalhador como ser humano”, afirma André Santos Filho.
por Fábio Lopes (MTb 81800/SP)