SIEMACO-SP leva modelo de trabalho de base a evento internacional da UNI em Salvador

 SIEMACO-SP leva modelo de trabalho de base a evento internacional da UNI em Salvador

Moacyr Pereira, Roberto Santiago e Daniela Sousa foram palestrantes do encontro Diálogo com o Trabalhador, realizado na última quinta-feira (17) para capacitar dirigentes e assessores do SIEMACO Salvador

O SIEMACO São Paulo participou, na última quinta-feira (17), do encontro “Diálogo com o Trabalhador: Conhecer e ser reconhecido”, realizado em Salvador (BA). O evento internacional foi promovido pela UNI Global Union Américas, com organização da CONASCON, e teve o SIEMACO Salvador como anfitrião. Três dirigentes de entidades paulistas estiveram entre os palestrantes: Moacyr Pereira, presidente da CONASCON e diretor tesoureiro do SIEMACO-SP, Roberto Santiago, presidente da FEMACO e que também ocupa os cargos de vice-presidente da UGT Nacional e do SIEMACO-SP, e Daniela Sousa, diretora do SIEMACO-SP e da FEMACO.

O encontro foi voltado aos dirigentes e assessores do SIEMACO Salvador, sindicato que representa os trabalhadores terceirizados do setor de Asseio e Conservação da capital baiana. A proposta foi preparar a equipe que faz o atendimento direto à categoria, levando para a Bahia a experiência de organização construída em São Paulo.

A UNI Global Union é a federação sindical internacional dos trabalhadores do setor de serviços. Com sede em Nyon, na Suíça, representa mais de 20 milhões de trabalhadores em mais de 150 países. No continente, atua por meio da UNI Américas, cujo setor de Limpeza e Segurança também é presidido por Moacyr Pereira. A programação começou pela manhã com o painel “Futuro do Sindicalismo”, em que Moacyr falou sobre a estrutura sindical brasileira.

Maurício Roxo, presidente do SIEMACO Salvador, e Marvin Largaespada, diretor regional da UNI Américas Limpeza e Segurança continuaram o evento. Roxo apresentou a experiência recente de fortalecimento da entidade baiana, e Largaespada tratou do sindicalismo internacional. Em seguida, José Boaventura Santos, presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), abordou os desafios da organização sindical dos vigilantes.

Em seguida, Roberto Santiago fez a palestra “O que o momento político atual exige da organização sindical”. Ele apresentou o método que orienta a atuação do SIEMACO São Paulo e defendeu que o nome do sindicato representa uma forma de organizar a categoria a partir dos locais de trabalho. “SIEMACO significa um modo de trabalho, um modo de organização. É um trabalho de base, de trazer a categoria para dentro do sindicato, de estar na porta dos locais de trabalho todos os dias e de ter uma equipe preparada e treinada, em número suficiente, para efetivamente atender os trabalhadores. E este evento traz isso”, afirmou.

À tarde, o debate se voltou para as condições nos locais de trabalho. Ex-coletora e primeira mulher a exercer a função na Ecourbis, Daniela Sousa conduziu o painel “Respeito, diversidade, saúde e a nova redação da NR-1”. Ela apresentou a campanha “Respeite Todo Mundo” e tratou de assédio e discriminação, diversidade e inclusão e saúde mental. A NR-1 foi atualizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024 e passou a obrigar as empresas a identificar e gerenciar os riscos psicossociais do trabalho, como sobrecarga, pressão excessiva e assédio. Desde 26 de maio de 2026, as empresas que descumprem a regra estão sujeitas a autuação pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.

Na roda de conversa que veio a seguir, com o tema “O que estamos encontrando nos locais de trabalho?”, os assessores do SIEMACO Salvador relataram as situações que enfrentam na base. Para Daniela, os relatos mostraram a urgência de uma resposta estruturada. “O que eu penso é que, a partir de agora, é preciso ter protocolos de prevenção e de combate a qualquer tipo de violência no ambiente de trabalho, porque me parece que hoje essa questão do protocolo ainda não está clara. O assessor acaba sendo um psicólogo. Como eles contaram, eles escutam as demandas dos trabalhadores e, muitas vezes, a resolução desses problemas foge do alcance deles”, afirmou.

A cobrança por protocolos tem respaldo na legislação. A Lei 14.457/2022 determina que as empresas com CIPA, hoje Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, adotem regras de conduta sobre assédio sexual e outras formas de violência. Essas empresas também devem fixar procedimentos para receber e acompanhar denúncias e promover capacitações periódicas sobre o tema.

O encontro terminou com estudos de caso e exibição de vídeos. Como anfitrião, o presidente do SIEMACO Salvador, Maurício Roxo, agradeceu às entidades parceiras. “Quero agradecer à CONASCON, FEMACO e UNI. Eventos como este nos ajudam a qualificar ainda mais os nossos assessores, para que eles possam fazer um trabalho cada vez mais de excelência para os nossos representados”, disse.

Foi a segunda vez neste ano que a CONASCON esteve em Salvador. Em maio, a confederação realizou na capital baiana o seu 2º Encontro Nacional, com lideranças de todo o país e representantes da Justiça do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego.

Para Moacyr Pereira, o resultado do encontro se mede no que os participantes levam para os locais de trabalho. “Todos que participaram saíram daqui com um aprendizado suficiente para chegar à categoria, aos trabalhadores e às trabalhadoras, e mostrar a importância do sindicato para a sociedade e para os trabalhadores”, completou.

Texto e fotos por Fábio Lopes (MTb 81.800/SP)