SIEMACO-SP rejeita 4,8% e rebate argumento do SELUR: “O trabalhador não vai pagar essa conta”
A quarta rodada de negociação da Campanha Salarial dos Trabalhadores da Limpeza Urbana terminou em impasse nesta segunda-feira (28). Durante a reunião, o presidente do SELUR, Pedro Maranhão, afirmou que as empresas enfrentam dificuldades financeiras porque a Prefeitura de São Paulo ainda não pagou o DEA (Despesas do Exercício Anterior) e porque os contratos do setor ainda não foram reajustados.
O SIEMACO-SP rebateu imediatamente: pendências financeiras entre Prefeitura e empresas não podem ser transferidas para quem trabalha.
“Se a Prefeitura ainda não pagou o que deve às empresas e os contratos não foram reajustados, essa cobrança precisa ser feita à Prefeitura. O trabalhador não pode ser penalizado por uma conta que não é dele. Quem mantém São Paulo limpa todos os dias merece valorização, não desculpa”, afirmou o presidente do SIEMACO-SP, André Santos Filho.
Durante a reunião, o SELUR elevou a proposta de reajuste salarial para 4,8%, mas o índice continuou abaixo do que a categoria considera aceitável.
Os trabalhadores acompanharam a negociação de forma híbrida, com transmissão ao vivo no auditório do SIEMACO-SP, e a reação foi imediata. A categoria deixou claro que espera pelo menos 5,5% de reajuste e que, sem avanço, cresce a disposição para cruzar os braços.





4,8% não encerra a negociação
O SIEMACO-SP manteve uma posição firme e não aceitou encerrar a campanha salarial com um índice considerado insuficiente.
Para o sindicato, a falta de pagamento do DEA, a ausência de reajuste dos contratos ou qualquer outra pendência com a Prefeitura não podem servir de argumento para limitar o reajuste salarial dos trabalhadores que diariamente enfrentam riscos, desgaste físico e condições duras nas ruas da cidade.
“Não vamos permitir que o trabalhador seja colocado no fim da fila. Existem pendências entre as empresas e a Prefeitura, mas isso não pode virar justificativa para reduzir a valorização de quem sustenta o serviço de limpeza urbana todos os dias”, reforçou André.





Funcionários da Limpeza Urbana assistem remotamente a negociação no auditório do SIEMACO-SP e reforçam: “queremos reajuste de 5,5%”
Trabalhadores falam em cruzar os braços
A insatisfação da categoria ficou evidente durante o acompanhamento da negociação. Entre os trabalhadores, cresce a disposição de partir para uma mobilização mais forte caso não haja uma proposta que alcance pelo menos os 5,5% defendidos pela categoria.
O SIEMACO-SP afirmou que apoiará a decisão coletiva dos trabalhadores e não aceitará qualquer tentativa de empurrar um acordo sem respaldo da base.
Diante do impasse, o SELUR informou que irá rever a proposta e encaminhar formalmente uma nova posição ao sindicato. Assim que isso acontecer, o SIEMACO-SP levará o novo índice ao conhecimento dos trabalhadores.
O recado da categoria permanece claro: se Prefeitura e empresas têm pendências financeiras e contratuais para resolver, que resolvam entre elas. O trabalhador não vai pagar essa conta com o próprio salário.
Texto por Fabiano Polayna (48.458/SP) | Fotos: Murilo Raggio (MTb 89.260/SP) e Alexandre de Paulo (MTb 53.112/SP)