Lideranças femininas debatem impactos da pejotização e violência em oficina da Rede Mulheres UNI Brasil
A precarização do trabalho feminino por meio da “pejotização” e o fortalecimento da autodefesa foram os eixos centrais da 14ª Oficina de Formação da Rede Mulheres UNI Brasil, realizada entre os dias 4 e 7 de maio, em Praia Grande (SP). O evento reuniu dirigentes sindicais de todo o país na Colônia de Férias dos Comerciários de São Paulo, com o objetivo de traçar estratégias contra o retrocesso de direitos e a violência de gênero.
A secretária-geral do SIEMACO São Paulo, Márcia Adão, que compôs a mesa de abertura do encontro e coordenou as atividades, destacou a urgência de qualificar as trabalhadoras para enfrentar as novas configurações do mercado de trabalho.
“Eventos como este são essenciais para municiar nossas dirigentes com informações técnicas e políticas. Quando discutimos a pejotização, estamos falando de uma face cruel da exclusão, que retira da mulher o acesso à licença-maternidade, à estabilidade e à rede de proteção social”, afirmou Márcia.
Precarização e Política
A programação contou com painéis técnicos ministrados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que detalharam como a substituição do vínculo empregatício (CLT) por contratos de prestação de serviços (PJ), que atinge desproporcionalmente as mulheres, agravando a sobrecarga da jornada dupla.
No campo da representatividade, a economista Anália Silva abordou a ocupação de espaços de decisão como ferramenta de transformação social, enquanto a doutora em ciências econômicas Marilane Teixeira analisou as atuais ações governamentais voltadas à equidade.
Defesa Pessoal
Além da formação teórica, a oficina promoveu atividades práticas de autodefesa. O Grupo Empodere-se apresentou técnicas sob a ótica feminina, focadas em consciência corporal e reação a assédios. Já o professor Luciano Pereira Leite conduziu o módulo sob a perspectiva masculina, reforçando o papel do homem no combate à violência doméstica e no respeito à integridade da mulher.
Para a diretora do SIEMACO-SP, a formação integral é o caminho para o fortalecimento da categoria. “O conhecimento é a nossa primeira linha de defesa. Seja no plenário da política ou na base da categoria, a mulher precisa estar preparada para identificar abusos e liderar mudanças”, concluiu Márcia Adão.
Por Alexandre de Paulo (MTb 53.112/SP); Fotos: Divulgação





