Presidente Lula recebe 68 reivindicações das centrais sindicais e pede mobilização para o fim da escala 6×1

 Presidente Lula recebe 68 reivindicações das centrais sindicais e pede mobilização para o fim da escala 6×1

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com Rick Azevedo e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante reunião com dirigentes de centrais sindicais, no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/ABr

Nesta quarta-feira (15), dia seguinte ao que enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei de redução de jornada para no máximo 40 horas semanais (e fim da escala 6×1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, 68 reivindicações de representantes das centrais sindicais, no histórico ato unificado da Conferência da Classe Trabalhadora, a CONCLAT 2026, encabeçado pelas centrais sindicais UGT, CSB, CTB, Força Sindical, NCST, CUT, Pública e Intersindical. O presidente do SIEMACO-SP, André Santos Filho, liderou uma comitiva do sindicato, com a Secretária Geral, Márcia Adão, o Tesoureiro e Presidente da Conascon, Moacyr Pereira e os diretores Elmo Nicácio (Lagoa), Danilo de Jesus e Roberval dos Santos, durante a “Marcha da Classe Trabalhadora”, na Esplanada dos Ministérios.  

Na ocasião, o presidente Lula, ao se dirigir aos dirigentes sindicais, disse que é necessária mobilização e pressão dos trabalhadores para aprovação da redução de jornada enviada ao Congresso.

“Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, afirmou.  Lula falou que o período é desafiador “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, justificou.

“Vivenciamos um momento histórico de lutas do movimento sindical em defesa dos trabalhadores, respeitando a trajetória de enfrentamento da CONCLAT. Agora vamos trabalhar com unidade e organização para garantir o avanço da redução da jornada de trabalho e outras pautas no Congresso Nacional. Foi uma honra participar desta jornada ao lado das lideranças da nossa categoria, que dignificam a representação dos trabalhadores nas bases. Levamos nosso recado e mostramos a força do trabalhador nos setores de limpeza urbana, asseio, conservação e áreas verdes”, disse o presidente do SIEMACO-SP.

Burnout

No evento, Lula homenageou o ativista e ex-balconista Rick Azevedo, que criou o movimento “Vida Além do Trabalho”, e que acabou dando origem ao projeto de redução de jornada. O presidente chegou a sugerir que, se a lei for aprovada, tenha o nome do ativista.

Ao presidente, Azevedo recordou que teve burnout e depressão com o excesso de trabalho e pouco descanso. “Em 13 de setembro de 2023, eu falei: ‘chega’… Então eu postei um vídeo no TikTok revoltado e denunciando esse modelo de trabalho de seis dias consecutivos para apenas um dia de folga. E o vídeo viralizou”, recordou.

Críticas a retrocessos

Lula aproveitou o encontro com as centrais para criticar as aprovações das reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019) e também outras, que ele considera retrocessos para a classe trabalhadora.

Para o presidente, a luta dos trabalhadores é mais dura para as centrais sindicais neste momento. Ele ainda alertou que há grupos no Brasil de oposição que defendem reforma semelhante à que foi realizada na Argentina (que incluiu a possibilidade de aumento da jornada para 12 horas diárias de trabalho).

Momento de transformação

Os representantes das centrais sindicais celebraram a decisão do governo de enviar o projeto que acabaria com a escala 6×1. Um deles foi o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah. Ele citou a necessidade de proteger trabalhadores por aplicativo e entregadores. “É fundamental se preocupar com a vida, com a saúde e com a juventude, que significa o futuro do nosso país”, afirmou.

Também no evento, a presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, afirmou que a pauta da classe trabalhadora deve incluir o combate ao feminicídio. “Nós precisamos fazer esse combate conscientizando a população pela educação”.

Transformações

O coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, explicou que a pauta de 68 reivindicações apresentada ao presidente se refere aos próximos cinco anos. Para Ganz, as categorias devem ter capacidade de olhar o mundo do trabalho em profunda transformação, com mudanças tecnológicas, que impactam o mundo do trabalho como um todo.

“Mulheres e jovens serão os mais impactados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, segundo os últimos estudos da OIT. Nós temos a mudança climática e a emergência ambiental com impacto sobre o mundo do trabalho”, afirmou.

Por Alexandre de Paulo (MTb 53112/SP), com informações e fotos da Agência Brasil e Assessoria do SIEMACO-SP