Bancários realizam paralisação nacional de 24 horas por valorização salarial; mobilização afeta agências em São Paulo

 Bancários realizam paralisação nacional de 24 horas por valorização salarial; mobilização afeta agências em São Paulo

Categoria protesta contra proposta insuficiente da Fenaban e cobra reajuste com aumento real, valorização dos vales e manutenção de direitos; capital paulista tem forte adesão no Centro, Paulista e grandes polos financeiros.

Os bancários de todo o país realizam nesta quinta-feira (20) uma paralisação de advertência de 24 horas. A mobilização, que atinge agências bancárias e centros administrativos na cidade de São Paulo e nas principais regiões metropolitanas, foi aprovada pela categoria após sucessivas rodadas de negociação sem avanço real no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 97,66% dos trabalhadores rejeitaram a proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e 89,34% aprovaram o movimento de paralisação. A data-base da categoria é 1º de setembro.

O que motivou a paralisação

A indignação da categoria decorre das primeiras rodadas de mesa única com a Fenaban, quando os bancos apresentaram medidas consideradas inaceitáveis pelos representantes dos trabalhadores:

  • Tentativa de divisão por faixas: A proposta patronal pretendia aplicar reajustes diferenciados em três faixas salariais, além de reajustar tíquetes refeição e alimentação de forma desigual.
  • Congelamento do piso: Intenção de congelar o salário de ingresso de novos bancários.
  • Falta de índice de reajuste: Os bancos não apresentaram proposta concreta de aumento real acima da inflação para os salários e benefícios.

Embora a pressão da categoria tenha obrigado a Fenaban a recuar da divisão em faixas e do congelamento do piso de ingresso na 8ª rodada de negociação, o setor patronal ainda não formalizou percentuais de reposição inflacionária nem ganho real condizente com a lucratividade do setor.

“Este recuo patronal foi uma vitória inicial da nossa mobilização, mas não é suficiente. Não podemos aceitar propostas que retirem conquistas históricas ou ignorem os lucros recordes do sistema financeiro, que ultrapassaram R$ 124 bilhões no último ano”, destacou Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional da categoria.

Impactos e mobilização em São Paulo

Na capital paulista, berço financeiro do país, as equipes de base e dirigentes sindicais concentram as ações nos principais eixos bancários — incluindo a Avenida Paulista, a região da Faria Lima/Berrini e o Centro Histórico (Rua São Bento e imediações) —, além de agências de bairro espalhadas pelas Zonas Norte, Sul, Leste e Oeste.

  • Atendimento presencial: Agências operam de forma parcial ou permanecem com as portas fechadas durante a quinta-feira.
  • Canais digitais e autoatendimento: Caixas eletrônicos, internet banking e aplicativos continuam em funcionamento para transferências, Pix e consultas.
  • Teletrabalho (Home Office): A recomendação aos bancários do regime híbrido ou remoto foi não efetuar login nem registrar ponto durante todo o dia 20.

Solidariedade e defesa dos trabalhadores

Assim como em todas as campanhas salariais da classe trabalhadora — a exemplo das mobilizações dos setores de asseio, conservação e limpeza urbana representados pelo SIEMACO-SP —, a luta por valorização salarial, proteção dos benefícios (como vale-refeição e alimentação) e garantia de condições dignas de saúde e segurança reflete diretamente no sustento das famílias e na economia local.

Uma nova mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban está prevista para a próxima segunda-feira (24). Caso não haja avanço com proposta de aumento real e respeito aos direitos da categoria, assembleias poderão deliberar sobre a continuidade ou ampliação do movimento grevista.

Por Alexandre de Paulo (MTb 53.112/SP), com informações da Agência Brasil; Foto:  Marcello Casal/Agência Brasil