Programa de empregabilidade propõe focar nas competências do candidato e não na “deficiência”
Nesta quinta-feira (25), o SIEMACO São Paulo participou do sétimo e último encontro do ciclo de visitas técnicas voltado ao Programa de Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho. A atividade ocorreu na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPCD), localizada na Barra Funda, zona oeste. O encerramento oficial da iniciativa está previsto para ocorrer na sede do sindicato.
O encontro teve como foco as diretrizes e os resultados do Programa Meu Emprego Inclusivo, que utiliza a metodologia do Emprego Apoiado (EA). Adotado amplamente em países da Europa e nos Estados Unidos, o modelo visa inserir e reter no mercado de trabalho competitivo profissionais que enfrentam maiores barreiras e desafios de acessibilidade, acompanhando o trabalhador e a empresa antes, durante e após a contratação.
O principal diferencial do programa está na triagem e no encaminhamento de candidatos. Quando as empresas parceiras manifestam interesse na abertura de vagas, a secretaria realiza um levantamento de perfil técnico e envia os currículos sem especificar o tipo de deficiência do candidato. A abordagem visa garantir que a seleção se baseie estritamente nas competências profissionais.
A diretora Silvana Souza representou o sindicato no evento. “Eles entendem que a empresa está contratando um profissional e não a deficiência dele”, afirmou a diretora do SIEMACO-SP e responsável por acompanhar a comitiva. “Também foi debatido que não se deve usar o termo PCD de forma generalista. O que existe é a pessoa, qualquer pessoa, com o direito de se qualificar, estudar e seguir uma carreira. Quando rotulamos, deixamos de enxergar o indivíduo”, completou.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2022 apresentados no evento, o nível de participação de pessoas com deficiência na força de trabalho ainda é consideravelmente inferior ao restante da população: apenas 5 em cada 10 pessoas com deficiência entre 30 e 49 anos estão inseridas no mercado, em comparação com 8 em cada 10 pessoas sem deficiência.
Durante a reunião, técnicos da pasta destacaram que a aplicação efetiva da Lei de Cotas gera reflexos econômicos diretos, estimando impactos mensais na ordem de R$ 416 milhões em consumo de cesta básica, além de R$ 1,4 bilhão em contribuições para a previdência social.
A delegação sindical foi recebida por gestores e especialistas do programa governamental, incluindo o diretor João Manoel Scudeler de Barros, o coordenador técnico Eduardo, além dos representantes Marcio Pelegrini e Vilma, que detalharam o fluxo de suporte contínuo para atenuar o descompasso de inclusão nas empresas privadas de São Paulo.
Por Alexandre de Paulo (MTb 53112/SP; Fotos: Assessoria de Base/SIEMACO-SP









