Trabalhadores protestam na Paulista pelo fim da escala 6×1 e pressionam Senado
Diretoria do SIEMACO-SP esteve na linha de frente em defesa da jornada de 40 horas semanais – Fotos: Alexandre de Paulo
Milhares de manifestantes ocuparam a avenida Paulista no início da noite desta terça-feira (30), em um ato pelo fim da escala de trabalho 6×1, que reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas e prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer redução salarial. O protesto, que concentrou o público em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) antes de caminhar em direção à praça Roosevelt, cobrou celeridade do Senado para a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 221/2019 que trata do tema.
A mobilização reuniu sindicatos, movimentos sociais, organizações estudantis e partidos políticos. A diretoria do SIEMACO-São Paulo participou ativamente da linha de frente do movimento, representada pelos diretores Elmo Nicácio (Lagoa), Wagner Antonelli (Wagninho), Nilson Ferreira (Kbça), Fábio Cruz, Danilo de Jesus e Roberval dos Santos (Soldado), além de coordenadores de equipe e assessores da entidade.
Para o diretor do SIEMACO-SP, Elmo Nicácio, o Lagoa, a aprovação da proposta é uma questão de dignidade para a categoria da limpeza urbana, asseio e conservação, que lida rotineiramente com jornadas exaustivas.
“A escala 6×1 sufoca o trabalhador e retira dele o direito básico de conviver com a família e cuidar da própria saúde. Estar na Paulista hoje é dar um recado claro e inegociável ao Senado: a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução de salário, é urgente. Nossa categoria exige respeito e qualidade de vida”, afirmou Lagoa.



Críticas ao Senado e relatos de desgaste
Durante a caminhada, os manifestantes direcionaram críticas aos senadores e, em especial, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cobrado por falta de empenho na tramitação da pauta. Cartazes e discursos também estenderam as reivindicações a temas como direito à moradia, liberdade de manifestação e combate ao feminicídio.
O desgaste da rotina atual foi o principal motor para a presença de trabalhadores no ato. O rodoviário Marcos Biangolini, 33, que atua em uma garagem de ônibus, relatou as dificuldades impostas pela jornada de seis dias.
“Desde que eu me conheço por gente trabalho na escala 6×1. Isso é cansativo. Você acaba trabalhando o mês inteiro e não consegue nem gastar o que recebe porque está trabalhando. Tem um dia de folga para poder gastar e, nesse dia, você só quer descansar”, disse Biangolini, que criticou quem defende a manutenção da escala atual trabalhando em condições de maior conforto. “Todo fim de semana eu estou lá. Não consigo ter tempo com a minha família. Isso, sinceramente, tem que acabar.”
Perfil do ato
Embora tenha seguido o roteiro de manifestações anteriores de partidos e parlamentares de esquerda, o protesto desta terça-feira registrou um aumento expressivo de público, impulsionado sobretudo por movimentos de moradia. Foi notada a presença de mais famílias, incluindo idosos e crianças.
O metalúrgico aposentado Manuel de Oliveira Santos, 68, viajou de Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, para acompanhar o ato ao lado dos familiares. Com 4 filhos e 6 netos, ele afirmou que a mobilização é necessária para as próximas gerações. “Estou aqui porque é muito importante para nós, classe trabalhadora. Queremos vencer essa batalha e vamos vencer com muita luta. Não importa o horário de chegar em casa hoje”, brincou.
A Polícia Militar acompanhou o protesto. O ato não registrou a presença de negociadores civis independentes — exigência que faz parte de um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para regular a atuação policial em manifestações no estado. O governo estadual tem cerca de 50 dias para finalizar o protocolo com as novas regras de conduta.
*Edição por Alexandre de Paulo (MTb 53.112/SP), com informações de Guilherme Jeronymo, da Agência Brasil;
Fotos: Alexandre de Paulo/SIEMACO-SP





















